O caminho da vertigem


Artigo de Opinião
Pedro Rodrigues Pinho
Presidente da Distrital de Setúbal
Partido Aliança

Nos últimos 20 anos, fomos governados durante 14 à “esquerda” e 6 à “direita”.

Foi a escolha de quem vive em democracia e nela acredita. A escolha dos portugueses porque,
bem ou mal, entenderam que era o que desejavam. Nada disto me preocuparia, não fosse o que
hoje acontece em Portugal e aos Portugueses.

A esquerda moderada, vulgo Partido Socialista, nos últimos 5 anos acentuou drasticamente as
suas práticas com uma forte influência à sua esquerda, apoiando-se em partidos radicais,
propensos a regimes ditatoriais e autoritários e à negação da liberdade individual.

Quando me refiro às “práticas socialistas” clarifico o que é o meu entendimento das mesmas:
- Desvalorização da família. Não há famílias, apenas o individuo.

A doutrina socialista à “antiga”, entende que a família não tem valor enquanto tal, mas sim o
individuo. É, portanto, uma doutrina individualista.

A não preocupação com o núcleo familiar, com o tempo familiar, com o seio da família, resulta
de uma ideologia ateísta totalmente díspar da conceção de ideia da Igreja Católica.

Quanto mais desvalorizada for, mais facilmente o individuo é controlado socialmente pelo
estado.

- Destruição dos valores. Não há valores, apenas o estado.

Outro ponto essencial na persecução da doutrina socialista. A quebra dos valores que unem
um povo.

Atualmente, é perfeitamente visível na sociedade a falta de valores.
Esses valores permitiram uma política de respeito pelas instituições de que o povo português
sempre se orgulhou.

A falta de respeito dos alunos pelos professores.
A falta de respeito dos indivíduos pelos policias.
A falta de respeito dos indivíduos pelos tribunais.
O constante apelo ao racismo atribuído ao povo português.
A ideia da constante não aceitação da diferença pelo povo português.

Isto não é Portugal. Isto não faz parte do ser português.
Sempre respeitámos, sempre cumprimos, sempre aceitámos a diferença.
Ninguém nos vem dar lições de História. Ela está aí para ser consultada.

Sem valores, o estado passa a ser o centro referencial do individuo.

- Descredibilização da sociedade. Só um estado forte e autoritário resolve a situação.
Mais dos objetivos desta esquerda é garantir que o povo não tem confiança nas instituições.
Que não acredite que gerar riqueza é uma forma de criar mais postos de trabalho.
Que asfixiar fiscalmente as empresas reduz o emprego.
Que é preferível nada fazer do que prejudicar toda e qualquer temática intangível.
Que damos serviços ao povo que não funcionam aumentando o descontentamento.
Que criamos rebuliço social, convulsão sindical manietada e as agressões que tanto anseiam.

Este é o Portugal de hoje. Sem pátria, sem valores, sem confiança.
Como se fosse uma formiguinha trabalhadora, os dois intrusos e influentes aplicadores
cirúrgicos, têm sido capazes de nos últimos 10 anos influenciar de forma acentuada a
sociedade portuguesa.
Nos últimos anos, perdemos a noção da importância da família na formação dos nossos
homens de amanhã. Deixámos de lhes transmitir os valores cristãos de respeito tradicionais
da nossa pátria. O amor ao nosso país. E claro, que nada funciona e a culpa é sempre dos
outros.

Estamos a parcos anos de tornar Portugal na nova experiência socialista da era moderna.
Um Portugal, onde somos todos iguais.

Porque assim, só o estado decide quem ganha mais, promovendo uma cultura de militância
governamental, que sendo apoiante tem acesso a determinadas profissões, se for militante
tem acesso a outras melhores, se for ativista sobe mais um pouco na cadeia alimentar e se for
membro do comité central, então tem tudo e ganha muito mais que todos os outros.

Pois é. Em que todos somos iguais, e o estado manda em todos de forma autoritária.
Porque se não formos apoiantes, nem dúvida há que somos contra, logo o nosso lugar é nas
cadeias.
Em que o mérito, a capacidade individual são totalmente esmagadas pela classe superior.
No fim, é o estado que pagará os ordenados, pois será o novo dono de tudo isto.
Porque as convulsões sociais, a desconfiança na autoridade, só se resolve com um estado
forte.
Sim. Forte. Logo autoritário, sem liberdade de expressão – leiam sobre o Estalinismo.
Onde a iniciativa privada é vista, não como geradora de riqueza para o país, nem de empregos
para os portugueses, mas como quem come toda a riqueza e nada deixa para os
trabalhadores. O verdadeiro papão vendido todos os dias, em todos os discursos que são
feitos, por uma comunicação social complacente e conivente.

Este é o Portugal que estamos a deixar crescer. E que nos últimos 5 anos nos governa.
Que nos oferece umas migalhas, como a baixa nos passes de transportes que permitiu termos
mais dinheiro no nosso parco orçamento mensal, mas que nos deixa morrer, porque não
somos tratados nos nossos hospitais, ou não somos protegidos pelas nossas forças policiais.
E ai de quem abrir a boca. Porque aí até se diz à boca cheia e em plena conferência de
imprensa: “eu sei quem o senhor é.”

Lá se vai a nossa liberdade de expressão.
Lá se vai o nosso 25 de abril.

23-01-2020, Pedro Rodrigues Pinho
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