“A insensibilidade, o desconhecimento e a impreparação são práticas da vida dos nossos políticos de hoje. E isso tem levado, nos últimos tempos, os «Portugueses ao desespero» afirma Pedro Pinho, Presidente da Distrital de Setúbal do Partido Aliança.
Em várias publicações, que tem feito, o responsável do Partido Aliança em Setúbal reafirma que «é impossível, sequer, pensar que as empresas e os empresários dispõem de um “saco azul” que lhes permita pagar todos os custos fixos da sua atividade durante 6 meses, sem receita, e não falir». Relativamente aos custos fixos o político afirma que «As empresas têm custos fixos, desde a renda dos espaços que ocupam, aos financiamentos, aos seguros, às comunicações, aos leasings de viaturas, aos salários, inerentes encargos e demais custos.» E que esses custos não desapareceram com as medidas do governo. Dado que o lay-off obriga as empresas a pagar um terço dos salários, a segurança social e o IRS. Em média, as empresas continuarão a pagar cerca de 60% dos custos dos funcionários mesmo com o lay-off. Os restantes custos mantêm-se e, dificilmente, podem ser prorrogados ou mesmo renegociados.
Para além do que, 90% do tecido empresarial português é constituído por empresas com menos de 10 trabalhadores, as denominadas microempresas. Todas têm baixa tesouraria, pelo que fechar um ou dois meses poderia ser, eventualmente, possível. Mas se a reabertura for condicionada; se a capacidade de gerar receita, ou se o seu encerramento for prolongado até 6 meses, «Como será possível retomar a atividade?!» inquiriu Pedro Pinho dando como exemplo os bares, as discotecas, os restaurantes e todo o comércio de porta aberta. Dando conta do prolongamento do encerramento comercial decretado, o responsável do Aliança avança: «Estamos no quinto mês de encerramento compulsivo. E alguns destes estabelecimentos apresentam, neste momento, uma receita perto dos trinta por cento da sua atividade normal. E, isto, para aqueles que já abriram. Depois de 3 meses de encerramento total, com contas para pagar, com multas por incumprimentos vários, todas as empresas se encontram descapitalizadas e a tesouraria, simplesmente, não existe. E pergunta: “Como entende o estado, que impôs este encerramento, que seja possível às empresas manterem os seus trabalhadores com 30% de faturação que tinham antes da crise ?! Impossível.”
“Os empresários não são ricos. São trabalhadores como qualquer um dos funcionários que emprega, com mais responsabilidades e mais riscos associados; e que não têm fortuna pessoal que possa fazer face a esta necessidade de capital.” Refere Pedro Pinho, consternado.
O Presidente da Distrital de Setúbal demonstra muita preocupação relativamente ao estado da saúde pública. No entanto, não deixa de assinalar que o encerramento destas empresas, acarreta custos elevadíssimos para o estado: com encargos de subsídios de desemprego, menos produtividade, contração da economia e com custos de financiamento cada vez maiores, à semelhança da crise de 2011.
Referindo outro exemplo− o da TAP−, Pedro Pinho comenta que «foi o Governo e a Comissão Europeia quem encerrou os espaços aéreos de todos os países da União Europeia.» e que «Se assim é, como empresário, pode avaliar o esforço económico que a TAP terá feito, desde março até hoje, para manter os aviões em terra e sem receita.
Bastará pensar nos cem milhões de euros mensais em salários e encargos sobre salários que a TAP mantinha e que não desapareceram. Sim, não desapareceram! Baixaram para sessenta milhões. E isso demonstra que a TAP tinha fundo de maneio, tinha tesouraria. Que dispunha de, pelo menos, trezentos milhões de euros o que lhe terá permitido aguentar estes 4 meses. Mas, entretanto, também teve de suportar todos os restantes encargos e custos fixos. Se calhar, a gestão da TAP não estava assim tão mal…» Conclui. e continua «Parece claro que essa gestão estava a permitir aumentar a tesouraria, o que fez com que os funcionários não deixassem de receber o seu ordenado, se pagasse a segurança social e o IRS durante estes meses.»
“Agora todos, claramente, podemos concordar que tudo é finito, que tudo tem um fim.” Compreendo a situação em que cada estado soberano se encontra, afirma Pedro Pinho. E adianta que “Deviam ser os Estados e a União Europeia a indemnizarem as empresas. Porque, de facto, as empresas foram obrigadas a fechar portas e a suspender as suas atividades. Por isso, para que voltem a laborar, a produzir, a crescer e a manter os seus funcionários deveriam ser indemnizadas, reitera. E reforça: «Até porque esta solução, a não ser implementada, vai ser paga em subsídios de desemprego acrescidos do desânimo que o desemprego provoca nos trabalhadores, cujo impacto social se deve considerar.» acrescentando «Os economistas que façam as contas e verifiquem qual a solução mais económica para cada país.»
No fim da entrevista, Pedro Pinho diz «não compreender como todos acham que tudo vai ficar bem; como ainda se acredita no aumento descontrolado do desemprego provocado pela falência das empresas a quem o Estado Português impôs a suspensão da atividade.» finalizando com um vaticínio preocupante:« Nessa altura vamos perceber se mudam de discurso.»


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